quinta-feira, 22 de maio de 2014

Os gêneros na música


A década de 1950, o Brasil se modernizava e partidos e movimentos de esquerda, bem como movimentos artísticos, acreditavam na possibilidade de uma revolução brasileira, nacional-democrática ou socialista. “Artistas e intelectuais tiveram um papel expressivo na construção da utopia de uma ‘brasilidade revolucionária’, que permitiria realizar as potencialidades de um povo e de uma nação”, diz Marcelo Ridenti, professor de sociologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp. Mas até hoje a compreensão dessa relação, entre política e cultura, é complexa e inclui nomes de peso do panteão cultural que foram comunistas, como: Jorge Amado, Nelson Pereira dos Santos, Caio Prado Jr., Nora Ney, Dias Gomes, Jorge Goulart e Di Cavalcanti, entre outros. “É um problema que não cabe numa equação simples que supõe a militância comunista de artistas e intelectuais como parte de um desejo de transformar seu saber em poder. Tampouco se pode supor que houvesse mera manipulação dos intelectuais pelos dirigentes do Partido Comunista Brasileiro [PCB]”, explica o professor, que analisou a questão no projeto Artistas e intelectuais comunistas na consolidação do campo intelectual e da indústria cultural no Brasil.



O que se cantava na década de 1960?

A década de 1960, ou simplesmente década de 60 ou ainda anos 60 foi o período de tempo entre 1 de janeiro de 1961 e 31 de dezembro de 1970


Vários países ocidentais deram uma guinada à esquerda no início da década, com a vitória de John F. Kennedy nas eleições de 1960 nos Estados Unidos, da coalizão de centro-esquerda na Itália em 1963 e dos trabalhistas no Reino Unido em 1964. No Brasil, João Goulart virou o primeiro presidente trabalhista com a renúncia de Jânio Quadros

Ao falar em música brasileira da década de 60 deve-se pensar em quatro gêneros: Jovem Guarda, Bossa Nova, Tropicália e MPB, que, por sua vez, eram divididos em dois grupos: os “alienados” (Jovem Guarda e Bossa Nova) e os “engajados” (MPB e Tropicália). Elis Regina, Jair Rodrigues, Nara Leão e Chico Buarque artistas que se consagram nos festivais. Fonte: Portal de Educação Musical do Colégio Pedro II – www.portaledumusicalcp2.mus.br . Acesso em 03.03.2014.



A Música de Protesto

A palavra festival vem do latim “festivitas”, que significa tanto ‘um dia de festa’ quanto ‘uma maneira engenhosa de dizer’. E essa maneira engenhosa faz-se muito presente nos festivais da década de 1960, precisamente pelo caráter crítico à ditadura militar vigente no período.

Alguns artistas se empenharam em produzir obras que pudessem expressar o momento político de então. Ficaram conhecidos como o grupo da “música de protesto”. Exemplo emblemático é a música Para não dizer que não falei de flores (”Caminhando”) de Geraldo Vandré, que até hoje é cantada nas passeatas e manifestações políticas, principalmente as da classe dos estudantes. Ela concorreu no III FIC, em 1968, pouco antes da vigência do Ato Institucional número 5 (AI‐5), instrumento legal que decretou censura absoluta aos meios de comunicação e nas manifestações artísticas, sobretudo a música. De certa forma, o AI‐5 decretou, também, o fim dos festivais




A Jovem Guarda

A Jovem Guarda foi um gênero musical surgido na metade dos anos 60. Foi o equivalente nacional ao movimento liderado pelos Beatles, banda inglesa surgida nos anos 1960, mesclando letras românticas descontraídas com guitarras elétricas, ditando um novo comportamento voltado para a juventude: a moda das calças Saint Tropez, das mini saias, dos cabelos compridos para os rapazes, das blusas com babados e das gírias como “é uma brasa, mora”, “brotinho”, “é papo firme”, entre outras. 

O gênero tem esse nome devido ao programa homônimo que reunia as maiores estrelas do movimento, como Ronnie Von, Martinha, Eduardo Araújo, Wanderley Cardoso, Jerry Adriani e as bandas Os Incríveis, Renato e seus Blue Caps, Golden Boys e The Fever. Apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia (Calhambeque, Tremendão e Ternurinha), fez um grande sucesso entre o público jovem, impulsionando a venda de produtos relacionados à marca e estética da Jovem Guarda. 

Entre os sucessos da Jovem Guarda estão: “Quero Que Vá Tudo Pro Inferno” e “O Calhambeque” (Roberto Carlos); “Festa de Arromba” (Erasmo Carlos); “Biquíni de Bolinha Amarelinha” (Celly Campello e Ronnie Cord); “O Bom” (Eduardo Araújo).

O programa Jovem Guarda estreou em 1965 e terminou em 1969. Com o programa também terminou o movimento da Jovem Guarda, que perdeu muita força na época para a Tropicália. Segundo Erasmo Carlos: “A Tropicália era uma Jovem Guarda com consciência das coisas, e nos deixou num branco total”. O movimento iê‐iê‐iê e suas guitarras elétricas influenciaram tanto a Tropicália quanto a música da MPB dos anos 70 até os dias de hoje.

O principal trio do movimento: Roberto Carlos, Wanderléia e Erasmo Carlos.




A Bossa Nova


“Oficialmente”, podemos dizer que a Bossa Nova começou num dia de agosto de 1958, quando chegou às lojas de discos um disco duplo de 78 rotações, do selo ODEON, do cantor e violonista João Gilberto. O disco é um marco, pois trazia a música que dava título ao LP, Chega de Saudade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes.

João Gilberto é hoje uma dos mais conhecidos artistas brasileiros, justamente porque sua trajetória se confunde com o gênero Bossa Nova. Sua inovadora “batida” de violão e seu jeito coloquial de cantar são características incorporadas ao gênero musical que se tornou um símbolo do Brasil no exterior.

Antes de lançar seu disco, João já havia participado, com seu violão moderno, de outro importante disco do novo gênero. Trata‐se de Canção do Amor Demais, da cantora Elizeth Cardoso. A canção que dava título ao disco também era de Tom e Vinícius, considerados os “papas” da Bossa Nova.

Tom Jobim e Vinícius de Moraes deixaram uma obra vastíssima com músicas que hoje são grandes sucessos: Garota de Ipanema, Chega de Saudade, Canção do amor demais, Se todos fossem iguais a você, Eu sei que vou te amar, entre outras. Tom teve outros parceiros também. Newton Mendonça é autor da letra de Samba de uma nota só e Desafinado, dois grandes sucessos do gênero

A ação da censura durante o regime militar, como já foi visto, foi a grande responsável pelo declínio e fim dos festivais. Curiosamente, iniciou-se um período muito fértil na música brasileira, já que os compositores, diante da necessidade de “driblar” a censura, criaram inúmeras letras de fundo político traduzidas em metáforas poéticas. Mas logo no início do AI‐5, a situação ficou insustentável. Chico Buarque, depois de preso e interrogado auto exilou-se na Itália. Caetano e Gil não tiveram a mesma sorte. Depois de presos um tempo, foram obrigados a abandonar o país. 



A Tropicália


O Tropicalismo foi um movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968. Seus participantes formaram um grande coletivo, cujos destaques foram os cantores‐compositores Caetano Veloso e Gilberto Gil, além das participações da cantora Gal Costa e do cantor‐compositor Tom Zé, da banda Mutantes, e do maestro Rogério Duprat. A cantora Nara Leão e os letristas José Carlos Capinan e Torquato Neto completaram o grupo, que teve também o artista gráfico, compositor e poeta Rogério Duarte como um de seus principais mentores intelectuais. 

Os tropicalistas deram um histórico passo à frente no meio musical brasileiro. A música brasileira pós‐Bossa Nova e a definição da “qualidade musical” no país estavam cada vez mais dominadas pelas posições tradicionais ou nacionalistas de movimentos ligados à esquerda. Contra essas tendências, o grupo baiano e seus colaboradores procuram universalizar a linguagem da MPB, incorporando elementos da cultura jovem mundial, como o rock, a “psicodélica” e a guitarra elétrica. Caetano, Gil e os Mutantes no III FIC. 



Música Popular Brasileira – MPB

Música Popular Brasileira (MPB) é um gênero musical que surgiu a partir de 1966, com a segunda geração da bossa nova. Teve influência de outros ritmos, como o rock e o samba, em um cenário de miscigenação de culturas. A MPB, além de ter grande relevância como manifestação estética, tradutora da identidade cultural, apresenta-se como um forma de preservação da memória coletiva e como um espaço social privilegiado para as leituras e interpretações do Brasil. 


Apesar de abrangente, a MPB não deve ser entendida como um sinônimo de música do Brasil. A MBP é um gênero dentro da totalidade de ritmos oriundos do nosso país. Muito ampla e difundida, a Música Popular Brasileira tem em sua história uma variedade imensa de cantores de sucesso, entre eles Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso e Marisa Monte.

A televisão desempenhou um papel importante para a divulgação da MPB e de seus novos artistas. Com a transformação da bossa nova, uma nova geração de compositores foi lançada. O tema Arrastão, de Vinícius de Moraes e Edu Lobo, marcou o início da MPB, mostrando uma música de protesto, nacionalista, com aproximações ao samba tradicional. Nomes como Elis Regina, Gal Costa e Maria Bethânia marcaram os anos 80 da Música Popular Brasileira.

Hoje a MPB, já consagrada, amadurece, cresce, amplia-se e incorpora novos artistas. O perfil inicial marcadamente nacionalista foi integrando elementos de diversas procedências. Esta diversidade é saudada, é uma das marcas deste gênero musical, que hoje apresenta ainda mais dificuldades para sua definição. Atinge toda população brasileira, todas as classes, raças e credos, identifica nossa maneira de viver.

Artistas como Adriana Calcanhotto, Ana Carolina, Chico César, Dorival Caymmi, Elba Ramalho, João Bosco, Lenine, Maria Rita, Milton Nascimento, Nando Reis, Ney Matogrosso, Seu Jorge, Tim Maia, Vanessa da Matta, Wilson Simonal e Zeca Baleiro representam esse gênero musical.

Concluímos que: ao longo dos anos houve grande mudança relacionada aos gêneros musicais e que ainda estão presentes no nosso cotidiano seja através das recentes manifestações, seja em programas televisivos como novelas por exemplo, pois essas foram músicas de grande impacto e sucesso na sociedade brasileira daquela época.
A música é sempre importante no estudo de texto pois tem o objetivo de passar uma mensagem ao ouvinte e suas letras são basicamente apoiadas em amor, crítica social ou sobre a própria experiência de vida do autor ou pensando na sociedade como um todo.
Esperamos que gostem do nosso trabalho e conclusão.
Boa leitura e bom estudo a todos  J

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