quinta-feira, 22 de maio de 2014

Introdução à linguística textual


INTRODUÇÃO

Linguística Textual

O surgimento dos estudos sobre o texto faz parte de um amplo esforço teórico, com perspectivas e métodos diferenciados, de constituição de um outro campo, que procura ir além dos limites da frase, que procura reintroduzir, em seu escopo teórico, o sujeito da situação da comunicação, excluídos das pesquisas sobre a linguagem pelos postulados dessa mesma Linguística Estrutural – que compreendia a língua como sistema e como código, como função puramente informativa.


DESENVOLVIMENTO

É possível distinguir três momentos que abrangeram preocupações teóricas bastante diversas entre si. Em um primeiro momento, o interesse predominante voltava-se para a análise transfrástica, ou seja, para fenômenos que não conseguiam ser explicados pelas teorias sintáticas e/ou pelas teorias semânticas que ficassem limitadas ao nível da frase; em um segundo momento, com a euforia provocada pelo sucesso da gramática gerativa, postulou-se a descrição da competência textual do falante, ou seja, a construção das gramáticas textuais ;em um terceiro momento, o texto passa a ser estudado dentro de seu contexto de produção e a ser compreendido não como um produto acabado, mas como um processo, resultado de operações comunicativas e processos linguísticos em situações sócio-comunicativas; parte-se, assim, para a elaboração de uma teoria do texto. Falemos agora um pouco mais detalhadamente de cada um destes momentos.

A análise transfrástica, parte da frase para o texto. Exatamente por estarem preocupados com as relações que se estabelecem entre as frases e os períodos, de forma que construa uma unidade de sentido,o fenômeno da correferenciação, por exemplo, ultrapassa a fronteira da frase e só pode ser melhor compreendido no interior do texto.

“Pedro foi ao cinema. Ele não gostou do filme.”


Observar esse trecho, adotando uma perspectiva textual, significa olhar o emprego do pronome pessoal de 3ª pessoa de uma forma diferente. Aqui, a relação ente o nome e o pronome não é simples substituição, no sentido mais corriqueiro do termo. O uso do pronome está fornecendo ao ouvinte/leitor instruções de uma conexão entre a predicação que se faz do pronome (“não gostou do filme) e o próprio SN em questão (considerado como aquele sobre o qual também já se disse algo). Esse movimento contribui para a construção da imagem do referente (“Pedro”) por parte do ouvinte. Será a congruência entre as predicações feitas sobre o pronome e o próprio SN (“Pedro”), e não a concordância de gênero e número, que permite afirmar que o pronome ele se refere a Pedro. No entanto, apenas a presença do mecanismo de correferenciação, ao longo de uma sequência não garante que esta se constitua em um texto.
Diversos autores consideram que não há uma continuidade entre frase e texto porque há, entre eles, uma diferença de ordem qualitativa e não quantitativa, já que a significação de um texto constitui um todo que é diferente da soma das partes. Além disso, consideram que o texto é a unidade linguística mais elevada, a partir da qual seria possível chegar, por meio de segmentação, a unidades menores a serem classificadas. Por último, consideram que todo falante nativo possui um conhecimento acerca do que seja um texto, conhecimento este que não é redutível a uma análise frasal já que o falante conhece não só as regras subjacentes às relações interfrásticas (a utilização de pronomes, de tempos verbais etc.), como também sabe reconhecer quando um conjunto e enunciados constitui um texto ou quando se constitui em apenas um conjunto aleatório de palavras ou sentenças. Assim, o falante possuiria três capacidades básicas, a saber:

a) Capacidade formativa - que lhe permite produzir e compreender um número potencialmente elevado e ilimitado de textos inéditos e que também lhe possibilita a avaliação, com convergência, da boa ou má-formação de um texto dado.
b) Capacidade transformativa - que o torna capaz de reformular, parafrasear e resumir um texto dado, bem como avaliar, com convergência, a adequação do produto dessas atividades em relação ao texto a partir do qual a atividade foi executada.


c) Capacidade qualificativa - que lhe confere a possibilidade de tipificar, com convergência, um texto dado, isto é dizer se ele é uma descrição, narração, argumentação etc., e também a possibilidade de produzir um texto de um tipo particular.



Conhecimento das estruturas da língua

A frase simples


Toda a frase simples é composta por dois constituintes principais:
- o grupo do Nome
->
-Sintagma Nominal (SN)

- o grupo do Verbo
->
-Sintagma Verbal (SV)


Ex.: A Sandra saltou para o chão.
SN: A Sandra
SV: saltou para o chão
A palavra “Sandra” é o nome, neste caso, um nome próprio.
A palavra “saltou” é o verbo.
Todas as frases possuem estes dois sintagmas a que vamos chamar constituintes principais da frase porque as frases, por mais pequenas, são compostas obrigatoriamente por um nome (ou pronome) e um verbo.
Frase 1- O pássaro voou.
Frase 2- Ele fugiu.
Se quisermos, podemos expandir a frase, atribuindo-lhe mais elementos:
Frase 1 – Com o frio da noite, o pássaro voou para ramos mais abrigados junto dos poiais da casa.
contudo, a ideia principal continua a ser:
“O pássaro voou.”
Frase2 – Ele, então ao ver que o perigo avançava, fugiu para dentro do pátio da escola.

A ideia principal continua a ser “Ele fugiu”
Isto porque uma frase com sentido tem sempre de possuir um agente ( o pássaro, Ele, a Sandra)
e uma acção (voou, fugiu, saltou) como observaste nas frases dadas.

O agente é-nos dado pelos Nomes ou pronomes.
A ação é-nos dada pelos verbos.




Mas o verbo pode ser um verbo de estado.
O João permaneceu quieto.
O gato é felpudo.
A Maria é professora.
O meu irmão ficou boquiaberto.
O fato ficou bom.

O SN e o SV desempenham, respectivamente, a função de sujeito e a função de predicado:

A campainha tocou.

A campainha -> Sintagma Nominal – função de sujeito
tocou -> Sintagma Verbal – função de predicado

Predicado Verbal:

Ex: Os duendes dispararam em todas as direções.

Predicado Nominal:

Ex: Os duendes eram de um azul metálico.

Neste último caso, o verbo “ser” (na forma “eram”) não tem significação própria, quer dizer que não significa nada sozinho.

Verifica a diferença dos predicados:

Os duendes dispararam.
Os duendes eram.

No primeiro caso, a ação é clara, percebemos bem o sentido do verbo “disparar”.
Mas, no segundo caso, a frase fica incompleta, porque o verbo “ser”, como outros verbos de 
estado, são verbos de significação indefinida. Precisam de uma espécie de ajudante ou muleta para obterem sentido:

Os duendes eram azuis.
Os duendes ficaram atónitos.
Os duendes pareciam pequenos monstros.
Os duendes estão ali.

À expressão que vem imediatamente a seguir a um verbo de significação indefinida chamamos predicativo do sujeito, porque servem para caracterizar o sujeito ou o seu estado, ou a sua situação.

Podemos, então, observar o seguinte:

O Pedro endireitou-se.
Predicado Verbal

O Pedro é jovem
Predicado Nominal

é – verbo
jovem – predicativo do sujeito

Predicado Verbal  ->Verbo

Predicado Nominal  ->Verbo + Predicativo do Sujeito

Concluímos que: A linguística textual foca os aspectos formais e estruturais do texto e concentra as suas atenções no processo comunicativo estabelecido entre o autor e o leitor e o texto em um determinado contexto. A interação entre eles é que define a textualidade de um texto.
Esperamos que gostem do nosso trabalho e conclusão.
Boa leitura e bons estudos a todos J

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